Pular para o conteúdo

Por que idosos sentem menos sede no inverno?

1 de julho de 2026 por
Karla Baptista

Por que idosos sentem menos sede no inverno?

É muito comum que familiares comentem: "No frio, parece que ele simplesmente esquece de tomar água." E, na maioria das vezes, isso realmente acontece.

Com o inverno, muitas pessoas diminuem naturalmente a ingestão de líquidos. Nos idosos, esse comportamento merece atenção, pois o envelhecimento reduz a percepção da sede. Isso significa que, mesmo quando o organismo já precisa de água, o idoso pode não sentir vontade de beber.

Essa combinação entre menor sensação de sede e temperaturas mais baixas aumenta o risco de desidratação, um problema que pode passar despercebido e trazer consequências importantes para a saúde.

Por que a sensação de sede diminui com a idade?

O envelhecimento provoca alterações em diversos mecanismos do organismo, incluindo aqueles responsáveis por controlar o equilíbrio de água.

O cérebro passa a responder de forma menos intensa aos sinais de desidratação. Como resultado, o idoso demora mais para sentir sede e, muitas vezes, não percebe que está ingerindo menos líquidos do que necessita.

Durante o inverno, isso se torna ainda mais evidente, já que o frio reduz naturalmente a vontade de beber água.

Além disso, alguns fatores podem contribuir para uma ingestão ainda menor, como:

  • medo de levantar muitas vezes para urinar;

  • dificuldade de locomoção;

  • incontinência urinária;

  • alterações cognitivas, como demências;

  • dependência de cuidadores para oferecer líquidos.

Quais são os riscos da desidratação em idosos?

Mesmo uma desidratação leve pode causar sintomas importantes.

Entre os principais problemas estão:

  • maior risco de infecção urinária;

  • prisão de ventre;

  • tonturas e quedas;

  • piora da confusão mental;

  • sonolência excessiva;

  • redução do apetite;

  • pior funcionamento dos rins;

  • internações por desidratação.

Na prática clínica, é comum observar idosos que chegam para avaliação por piora da disposição, confusão ou constipação e, ao investigar a rotina, percebe-se que estão ingerindo muito menos líquidos do que o necessário.

Como saber se um idoso pode estar desidratado?

Nem sempre a sede será um bom indicador.

Alguns sinais que merecem atenção incluem:

  • urina muito escura;

  • boca seca;

  • lábios ressecados;

  • diminuição da quantidade de urina;

  • cansaço excessivo;

  • confusão ou sonolência;

  • tonturas ao levantar;

  • piora da prisão de ventre.

Caso esses sintomas apareçam, principalmente associados a febre, vômitos ou diarreia, é importante procurar avaliação médica.

Como aumentar a ingestão de líquidos no inverno?

Não espere que o idoso peça água espontaneamente.

Algumas estratégias costumam funcionar melhor:

  • oferecer pequenos volumes várias vezes ao dia;

  • deixar a água sempre visível e de fácil acesso;

  • utilizar garrafas leves ou copos pequenos;

  • oferecer água em temperatura ambiente ou morna, se houver preferência;

  • incluir chás sem açúcar quando não houver contraindicação médica;

  • oferecer frutas ricas em água, como melancia, melão, laranja e mexerica;

  • incluir sopas, caldos e outras preparações com boa quantidade de líquidos.

Cada pessoa possui necessidades diferentes. Em pacientes com insuficiência cardíaca, doença renal ou outras condições clínicas, a quantidade de líquidos pode precisar de ajustes individualizados.

Chá e sopa ajudam na hidratação?

Sim.

Além da água, chás sem açúcar, leite, sopas e frutas com alto teor de água também contribuem para a hidratação diária.

No entanto, eles não devem servir como desculpa para abandonar completamente o consumo de água ao longo do dia.

Qual é a quantidade ideal de água para um idoso?

Não existe um único número que sirva para todas as pessoas.

A necessidade de líquidos depende de fatores como peso, alimentação, temperatura ambiente, nível de atividade física e doenças existentes.

Por isso, orientações genéricas, como "todos devem beber dois litros de água por dia", nem sempre são adequadas.

A avaliação individual é a melhor forma de definir uma meta segura e realista.

Quando procurar um nutricionista?

Se o idoso apresenta dificuldade para manter uma boa hidratação, perda de peso, redução do apetite, constipação frequente ou infecções urinárias de repetição, vale a pena realizar uma avaliação nutricional.

Pequenas mudanças na rotina costumam fazer diferença e ajudam a prevenir complicações, mantendo a saúde, a autonomia e a qualidade de vida por mais tempo.

Perguntas frequentes

O frio faz o idoso precisar de menos água?

Não. Embora a sensação de sede diminua no inverno, o organismo continua precisando de hidratação adequada.

Chá substitui a água?

Os chás contribuem para a ingestão de líquidos, mas a água continua sendo a principal fonte de hidratação.

Sopas contam como líquidos?

Sim. Sopas e caldos ajudam na hidratação, principalmente durante o inverno.

Idosos com demência têm maior risco de desidratação?

Sim. Alterações cognitivas podem fazer com que a pessoa esqueça de beber água ou não consiga reconhecer a própria sede, aumentando o risco de desidratação.


Referências

  • European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN). Guideline on clinical nutrition and hydration in geriatrics.

  • National Institute on Aging (NIA). Healthy eating and hydration for older adults.

  • Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Recomendações para o cuidado da pessoa idosa.